sábado, 24 de agosto de 2013

Fusca, 20 anos do relançamento do clássico que aproximou Gerações, saiba o que mudou neste tempo!

Passado e Futuro se encontram nas Gerações do Fusca desde o relançamento em 1993 com a versão 2013 do clássico mais amado de todos os tempos. 

Com a ideia de combater o desemprego e estimular a indústria de automóveis no Brasil, produzindo carros populares e acessíveis ao povo, o então presidente da República, Itamar Franco, pediu para que a Volkswagen voltasse a produzir o Fusca, modelo que havia deixado de ser produzido no Brasil em 1986. Após o pedido do presidente, foram oito meses preparando a linha de montagem da Volkswagen para a volta do Besouro, com investimentos de US$ 30 milhões. Em 23 de agosto de 1993, o VW Fusca foi relançado, já como modelo 1994, trazendo 800 novos empregos diretos, 24 mil indiretos. O Fusca 94 era basicamente o mesmo de 1986, mas agregou alguns itens como vidros laminados, catalisador, barras estabilizadoras na frente e na traseira, pneus radiais, freio dianteiro a disco, reforço estrutural e cinto de segurança de três pontos. 



O processo produtivo também era diferente do último Fusca, tendo uma linha de montagem mais automatizada. Ao ser lançado, o fenômeno Fusca é reconhecido mais uma vez, com uma lista de espera de compra com 13 mil inscritos. O Fusca foi fabricado no Brasil até 1996. Já no México, a velho Fusca só deixou a linha de montagem, em Puebla, em 2003, quando já dividia espaço nas concessionárias com seu sucesso, o New Beetle, que havia sido apresentado pela Volkswagen no Salão de Detroit de 1999.



Encontrado em quase qualquer lugar do mundo, o besouro fez história em sua primeira geração com mais de 22 milhões produzidos, sendo mais de 3 milhões só em solo brasileiro. Hoje esse inseto irresistível está de volta, na pele de um esportivo, mas guardando muitos detalhes daquele velho conhecido de nossos pais e avós.

Não vamos comentar a origem do Fusca, de pelo conhecimento de todos, mas apenas as diferenças entre os modelos vendidos aqui em 1993 e agora em 2013. Os 20 anos que separam os dois modelos são na realidade mais de 70 anos de concepção. O Fusca 1600 1993 foi resgatado pelo então presidente Itamar Franco, mas a produção durou apenas três anos, fazendo a felicidade de saudosistas, colecionadores e muitos consumidores que desejam provar aquilo que seus pais ou avós tinham conhecido muitos anos antes.



O Fusca 2.0 TSI é mais uma afirmação de imagem da Volkswagen, que apesar de engenharia avançada e do gigantismo financeiro, continua relembrando os clássicos que a tornaram o que é hoje em dia. Ele superou o “new age” Beetle dos anos 90 – a mesma época em que brasileiros e mexicanos ainda podiam comprar o verdadeiro besouro, em estado puro, honesto em sua proposta – tornando-se de fato o sucessor do besouro original.



Nos bons anos 90, o Fusca 1600 “Itamar” chegou para ser acessível ao consumidor de baixo poder aquisitivo, mas logo se percebeu que a concorrência mais moderna seria implacável com o clássico, que acabou sendo descontinuado novamente. Em relação ao Fusca de 1986, o último da série desde 1959, o modelo relançado ganhava apenas catalisador e alternador. Na época do lançamento custava CR$ 700.000 e no fim da sobrevida saía por R$ 8.700. Hoje em dia, um modelo usado dificilmente é encontrado abaixo desse valor.



Feito no México, último país que deu adeus ao Fusca da primeira geração, o Fusca 2.0 TSI ressurgiu como uma proposta definitiva para resgatar o clássico. Deu certo, por lá, versões que remetem aos anos 50, 60 e 70 foram lançadas, detalhes e acessórios inspirados no passado estão disponíveis como opcionais. Aliás, embora Beetle por lá (como sempre foi), o Fusca das versões mais baratas são exatamente os mais nostálgicos. Para nós, ficou um esportivo para poucos e com pegada que não era a proposta original do modelo clássico. Aqui, os R$ 77.890 estão bem distantes do antigo popular da era Itamar. O modelo atual promete muito se as versões “normais” vendidas lá fora chegarem ao Brasil.



O Fusca 1600 1993 tinha motor boxer 1.6 refrigerado a ar com dois carburadores e catalisador. Na traseira, como sempre, ele entregava 58,7 cv e 11,9 kgfm (números com álcool). A caixa de transmissão manual era de quatro marchas. O Fusca 2.0 TSI tem 200 cv e 28,5 kgfm (somente a gasolina), podendo ter transmissão manual ou DSG, ambas com seis marchas. De 0 a 100 km/h, o besouro clássico precisava de pouco mais de 14 segundos, tendo máxima em torno de 142 km/h. Já o esportivo mexicano precisa de 7,5 segundos para fazer o mesmo e tem máxima de 225 km/h (manual).



Feito com carroceria sobre chassi, o Fusca 1600 não exigia a mesma soldagem que os carros modernos e foi feito na época com peças compradas de fornecedores, que haviam adquirido o ferramental quando a fábrica da Anchieta deixou de fazer o modelo em 1986. Suspensões com eixo de torção e facão, amortecedores e uma estrutura rústica, mas robusta, faziam o clássico ir onde muitos desistiam logo no começo. O espaço interno era reduzido e a visibilidade claustrofóbica. Não absorvia como se deve as irregularidades, mas era honesto como transporte básico para muitos. Hoje é diversão para muitos colecionadores e entusiastas, mas ainda se presta à sua proposta original no dia a dia de muita gente.



O Fusca 2.0 TSI tem carroceria moderna, utilizando-se da plataforma do Golf anterior (VI), adotando suspensão traseira multilink (agora em todas as versões no exterior) e um ressonador no escapamento, criado pela Volkswagen para fazer ouvir o motor dianteiro no compartimento traseiro. A impressão é real e já foi conferido pelo NA. Ele tem pegada esportiva e pede para ser acelerado. A visibilidade melhorou muito, mas ainda mantém aquele clima de privacidade interior, algo apreciado pelos amantes do passado… Peca por não oferecer opções mais baratas e ainda mais nostálgicas. Afinal, o Fusca não é aquele estrangeiro que chegou ao Brasil com a fama apenas lá fora.

Extremamente básico, o Fusca 1600 1993 não conheceu ar condicionado, direção hidráulica, trio elétrico ou itens mais importantes, tais como airbag duplo e freios ABS. Era simples e funcional, embora os últimos exemplares tenham sido indevidamente personalizados com detalhes de outros modelos da Volkswagen, que nada tinham a ver com a proposta do carro. A Série Ouro serviu de despedida, mas sem os penduricalhos adicionados, seria bem mais apreciada. Ele tinha rodas de aço aro 15 com pneus diagonais 165, pesava 980 kg e já tinha freio a disco dianteiro…

O Fusca 2.0 TSI vem com tudo e mais alguma coisa em seus mais de 1.340 kg. Quatro airbags, ESP, XDS, multimídia com navegador GPS, sistema de som Fender com subwoofer, teto solar panorâmico, mostradores adicionais sobre o painel, rodas de liga leve aro 18 com pneus 235/45 R18, volante esportivo multifuncional, entrada/partida sem chave, spoiler traseiro, ar condicionado, trio elétrico, pedais de alumínio, discos nas quatro rodas, faróis bi-xenon com LEDs e bancos em couro, são alguns dos itens que podem ser encontrados no esportivo clássico.

Enfim, duas gerações bem diferentes na vida do Volkswagen Fusca. O primeiro é um ícone no Brasil e também no mercado mundial. O outro chegou agora, mas já mostra sua presença marcante em muitos mercados, embora não com a mesma pretensão do primeiro modelo. Daqui para frente, podemos esperar mais releituras do clássico besouro, que havia nascido para ser o carro do povo alemão e se tornou o automóvel de muitos povos pelo mundo.

Um comentário:

  1. Memóravel retorno do fusca em plenos anos 90'!possuo um fusca 94 mod. 95, os da série "itamar", cor azul metalizado.
    Muito bom! sempre chama atenção quando faço passeios nele, é até de certa forma, potente, apertado mas muito carismático, sempre encontra peças e fácil de mecher!
    Fiquem na paz de Deus.

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