CARROS ANTIGOS

Automóveis de época e tendência do Mercado



Ao contrário do que muita gente acredita, o mercado de veículos de época é bastente promissor e cresce a níveis vistos por todos os cantos do país


O termo antigomobilista surgiu para identificar aqueles que apreciam e possuem carros antigos. Geralmente são avessos a conjugar verbos como vender, trocar ou negociar, quando se trata de objetos de sua paixão. Mas existe uma pequena classe diferenciada entre os apaixonados. São aqueles que curtem mais o processo da restauração que o próprio carro pronto. Tão logo terminam a renovação, já encaram o próximo projeto de ressurreição. "Normalmente, fico com o carro restaurado no máximo um mês e já vendo para comprar outro e começar tudo outra vez", diz o empresário Marcelo Bonfogo, conhecido como Zero. Com 22 modelos revitalizados no "currículo", Zero se especializou em modelos das décadas de 60 e 70, com atenção especial para a marca Dodge.

A mania começou cedo, aos 17 anos, época em que comprou seu primeiro Charger, um modelo 1977 branco. "Sempre gostei de Dodge. Ao todo tive dez, incluindo o que estou restaurando no momento, um Dart 1973." O empresário também já restaurou raridades como Impala, Landau e Malibu, além de um Chevrolet 1939. Até a esposa, Paula Roldão, teve que aprender a gostar de carros antigos. "Quando vejo um antigo na rua, fotografo e mando pra ele. Acabo curtindo junto", diz Paula, que também o acompanha em encontros de antigos como o de Águas de Lindoia.

O fundador do Maverick Clube do Brasil, Rodrigo Lombardi, também influenciou sua mulher no gosto pela marca americana. "Quando ele vendeu o primeiro Maverick, um 1975, chorei muito", afirma Mari Cunha. "Ele acompanhou todo o tempo do nosso namoro e acabei me apegando ao carro." O marido começou a restaurar aos 17 anos, tendo um Fiat 147 como cobaia. Já teve dois Maverick e atualmente repara um Fusca 1971, que pretende terminar em quatro meses. Em sua oficina, localizada no Alto de Pinheiros, também realiza serviços para clientes. "Para mim é uma satisfação sem igual reformar um antigo, mesmo que não seja o meu", diz ele.

Para alguns, o gosto pela restauração pode render mais que prazer. É o caso de Rafael Pagani e Antonio Marin, que decidiram transformar o que era apenas um hobby em negócio. Segundo eles, o lucro beira os 40% na venda de antigos restaurados, margem inimaginável na comercialização de automóveis zero quilômetro. O segredo de tamanha rentabilidade, segundo os comerciantes, está em comprar antiguidades deterioradas a baixo custo e após a renovação comercializá-las como automóveis de coleção. "Esse mercado chega a girar 180 milhões de reais por ano", afirma Tiago Songa, diretor da Federação Brasileira de Veículos Antigos (FBVA).

Pagani, de 26 anos, faz coro no entusiasmo pela atividade. Ele lucra por volta de 30% em cada carro, mas há casos em que ganha mais, como a venda recente da picape Ford F100 1974 por 15 000 reais, pela qual afirma ter pago 7 000 reais e investido apenas 1 000 reais na reconstrução do motor. "Já fiz mais de 30 restaurações em dez anos. Gosto de colocar a mão na massa, aprendi sozinho a mexer na parte mecânica e na desmontagem", diz Pagani, que desde os 16 anos já se dedicava ao restauro de automóveis da década de 1970, principalmente modelos como Ford Galaxie e Dodge Dart.

No seu galpão de 600 metros quadrados na zona norte de São Paulo, Pagani realiza atualmente a restauração de três modelos, um Dart Luxo 1971, um Galaxie 500 1967 e uma picape F100 1959, e mais 17 estão na fila para ganhar vida nova. O tempo de renovação varia entre um mês e cinco anos, dependendo do estado e da dificuldade em encontrar peças. "Já fui para Recife buscar um Dodge Charger RT 1976 que, por estar há muito tempo abandonado, teve que ser desenterrado", diz.

Existem profissionais que não se limitam a reconstruir os modelos de acordo com os padrões de fábrica e que incorporam modificações. É o caso de Antonio Carlos Marin, que se especializou na restauração de hot rods. Essa categoria permite alterar o motor e promover mudanças estéticas como rodas largas e pintura com chamas. Antonio atua há oito anos nesse mercado e afirma que um hot bem feito chega a valer o dobro de um modelo totalmente original.

O empresário atualmente conta com 22 relíquias armazenadas no seu galpão, localizado na zona leste. Diferentemente de outros restauradores, Marin não põe a mão na graxa. Seu trabalho é fazer o projeto e entregar a execução a uma oficina especializada. Normalmente seus carros são cerca de 60% originais, preservando faróis, carroceria e detalhes originais. "Na maioria das vezes troco os bancos, o carpete, as rodas e, é claro, o motor", diz Marin, que parte de fotos para fazer seus projetos.

Apesar da liberdade em algumas modificações, Marin afirma ter compromisso com a fidelidade ao original e não poupa viagens para os Estados Unidos em busca de peças para modelos, como Impala 1965, Corvette 1972, Ford 1932 e Chevrolet 1931. "Como eram peças raríssimas, valia a pena ir até lá", diz.


Mercado de peças para Carros Clássicos
De olho em um mercado de 4,4 milhões de veículos, ou 21% do total em circulação no país, indústrias se dedicam à fabricação de carburadores, lanternas e todo tipo de artigos para modelos que há muito perderam o glamour. 'É um filão abandonado pelas montadoras', explica Deise Schiavon Segalla, coordenadora do Sindipeças, sindicato do setor.

A Cabel, por exemplo, localizada em Santana do Parnaíba, na Grande São Paulo, há 40 anos vive da fabricação de pára-choques de ferro. Com 42 funcionários, entrega 27 mil unidades por mês para veículos como Brasília, Corcel, Chevette, Del Rey e Fusca, o carro-chefe da empresa. Além de ser responsável por mais da metade da produção, o pára-choque do principal modelo da Volkswagen até os anos 80 é exportado para países como México, Bélgica e Inglaterra. 'O mercado de carros antigos está garantido por ainda muitos anos', afirma Marisa Farah, diretora da Cabel. Na concorrente DTS, a diretora-comercial Paula Franco faz eco: 'É um nicho forte para ser desprezado'. No caso da DTS, quetambém fornece peças para modelos novos, representa 43% das vendas.

Os carros fora de linha respondem por cerca de 30% do faturamento do setor de reposição, que no ano passado movimentou cerca de US$ 2,3 bilhões, estima a Associação Nacional dos Distribuidores de Autopeças. 'Como os velhinhos não têm conforto, sua mecânica é fácil', argumenta Geraldo Santo Mauro, presidente do Sindicato da Indústria de Reparação de Veículos e Acessórios do Estado de São Paulo. 

Traçar um perfil preciso do universo dos carros velhos não é tarefa fácil. Muitos deles estão com a documentação desatualizada e rodam na ilegalidade, sobretudo nas periferias das grandes cidades e no interior do Brasil. No mercado de compra e venda, Fusca e Brasília são os modelos mais procurados, pela resistência, manutenção barata e grande oferta de peças de reposição. Chegam a valer mais que modelos de luxo do mesmo período: enquanto um Alfa Romeo JK da década de 70 custa em média R$ 2 mil, um Fusca da mesma idade e em boas condições não sai por menos de R$ 2.800. O modelo da VW foi fabricado por mais de 30 anos no Brasil e, dos 3 milhões produzidos, mais de 300 mil continuam na ativa.

A IGP aposta tanto no filão dos antigos que, mesmo depois da aposentadoria do Fusca pela Volkswagen, investiu na modernização da linha de fabricação do pára-lama do modelo. 'Antes eram necessários 22 empregados para fazer a peça. Hoje esse número caiu pela metade', explica Ricardo Cicarelli, diretor-comercial da empresa. A iniciativa faz sentido: dos 20% da produção destinados à exportação, o pára-lama responde por mais de dois terços.

Atraente e lucrativo, o mercado tem recebido até gente nova. No ano passado, Diego Victorica e dois sócios criaram a MetalPartes, especializada em lataria. A venda ainda está restrita ao mercado interno, mas a expectativa dos proprietários é, no prazo de um ano, chegar a países como Venezuela, Marrocos, Equador, México e Argentina. A fábrica produz por mês 4 mil assoalhos de Fusca e cerca de 800 de Brasília. 'Em dois anos teremos tudo o que investimos de volta', afirma Victorica.

Há espaço até para nichos específicos, como atesta Ésio Carbonari Júnior, proprietário da Mikron Plast, em São Caetano. De forma quase artesanal, a empresa produz mensalmente 3 mil lanternas para o Fusca 'Fafá', lançado em 1979. 'Ao contrário do que pode parecer, a atividade é bem rentável', garante.


Entre os gigantes, apenas a General Motors não descuidou do filão. Mantém em Mogi das Cruzes uma fábrica com 600 empregados voltada para os modelos fora de linha da montadora. Produz cerca de 75 mil peças por mês e fatura R$ 15 milhões por ano. 'Esse mercado ainda tem muito a render', afirma Antônio Carlos Braga, diretor da unidade de Mogi.

Carros Antigos e seus Colecionadores, Uma paixão que ultrapassa Fronteiras


Tudo começou por volta de 1678 com a largada da produção de carros ao redor do mundo. Neste ano, foi lançado o primeiro carro a vapor, o que faria com que mais tarde, este setor se aprimorasse cada vez mais, chegando à modernidade que podemos encontrar hoje. Isso fez com que os amantes dos primeiros modelos de carros ou de carros muito antigos se tornassem colecionadores cada vez mais sofisticados.



Este ramo de atividade é Movida pela paixão ou pelo simples hobbie de ter algo exclusivo, uma forma luxuosa de trazer de volta o passado, a história do automobilismo mundial. 



Atualmente o mercado automobilístico é movido pela compra e venda de modelos novos ou semi-novos  por isso entende-se  que o comércio de carros antigos ou sua reforma seja pensada como uma exclusividade para grandes colecionadores, para clientes mais que exclusivos e de alto poder aquisitivo. 



Algumas marcas fizeram parte da história do automobilismo mundial, seja através da velocidade, seja pelos modelos que criaram e ditaram moda por séculos e que ainda hoje fazem parte do dia-dia de todos nós, colecionadores ou não.



Carros Antigos da Ford




Criada em 1903 por Henry Ford (cujo sobrenome é o nome da empresa), a Ford foi a primeira fábrica de carros a construir um quadriciclo motorizado para comercialização. Este modelo foi o Ford T, conhecido no Brasil  como Ford de Bigode. Este modelo foi produzido por 19 anos ininterruptos ( 1908 a 1927). Após este período, a Ford lançou alguns modelos como Ford Model A, Ford Model TT, Hemp Body Car, Corcel e Maverick. Estes são os carros antigos da Ford mais desejados pelos colecionadores.



Carros antigos Chevrolet



Montadora de carros americana fundada em 1911 por Louis Chevrolet em parceria com a General Motors e as montadoras de carros Opel, Daewoo, Vauxhall e Holden.  Desenvolveram modelos que ainda são comercializados em grande escala atualmente. Os primeiros modelos de carros da Chevrolet foram o Chevrolet 150, Chevrolet Bel Air, Chevrolet Chevette, Opala, Veraneio e Malibu, itens que qualquer um dos vários colecionadores de carros antigos deseja ter em suas garagens.

Carros antigos Volkswagen


Uma das maiores fabricantes de carros do mundo, esta empresa alemã destaca-se pela fabricação de automóveis populares. Seu nome faz referência a isso, pois “Volks” significa povo e “wagen” significa carro, ou seja, carro popular. Surgiu na década de 30, na Alemanha ainda nazista, que procurava novas fontes de economia para se reerguer. Seu primeiro modelo é chamado no Brasil de Fusca, na Alemanha como “Käfer”, em Portugal como Carocha e nos EUA e Reino Unido como “Beetle”. Após isso, a produção de carros só começou a aumentar. Foram comercializados modelos como Karmann Ghia, Brasília, Porsche 914, SP2 e Typ 3, carros que são muito comuns nas garagens dos grandes colecionadores de carros antigos de todo o mundo.

Por todo o Planeta colecionadores organizam encontros para exibir seus veículos. No brasil são diversos os encontros de colecionadores de carros antigos. Belo Horizonte, São Paulo, Rio de Janeiro e até Ponta grossa no paraná organizam eventos, muitas vezes abertos ao público e gratuitos para exposição de Carros antigos e seus colecionadores. 

Em Campos gerais, no Paraná, por exemplo, os encontros acontecem aos domingos. Os Colecionadores de carros Antigos fecham uma das ruas do bairro Jardim Carvalho para exibirem suas relíquias. Em média 40 carros são expostos a cada evento.



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